Contexto Económico
A economia portuguesa continuou a sua trajetória positiva no primeiro trimestre de 2026, demonstrando resiliência sustentada. O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 2,3%, um valor que supera a média da Zona Euro. As pressões inflacionistas abrandaram, com a taxa a moderar-se para 2,3% em 2025. As projeções indicam que a inflação se estabilizará abaixo da marca dos 2,0% nos próximos anos, embora se preveja um aumento temporário para 2,6% em 2026. O mercado de trabalho tem demonstrado resiliência, prevendo-se que a taxa de desemprego desça para 5,7%. No entanto, prevê-se que o ritmo de criação de emprego abrande, com um crescimento previsto de 1,3%.
Visão Geral da Procura
O setor do retalho está a registar um aumento significativo da atividade, refletindo uma forte confiança do mercado. O primeiro trimestre de 2026 assistiu à abertura de 68 novas lojas, o que representa um aumento notável de 13% em relação ao periodo homólogo. Este impulso expansionista por parte dos retalhistas sinaliza uma perspetiva otimista quanto ao potencial do mercado.
Excluindo o formato de comércio de rua, os centros comerciais concentraram a maior fatia de novas unidades de retalho, representando 58% do total de aberturas, seguidos pelas unidades isoladas, com uma quota de 28%.
Olhando para o futuro, o pipeline de desenvolvimento é robusto. Estão previstos concluir cerca de 210.000 m2 de nova área de retalho nos próximos três anos . Uma parte significativa deste pipeline está destinada a retail parks, indicando uma mudança estratégica nas prioridades de desenvolvimento para destinos de compras mais espaçosos e acessíveis.
Tendências de Rendas
No primeiro trimestre de 2026, as taxas de arrendamento de primeira linha mantiveram uma trajetória estável em todos os formatos de retalho, proporcionando uma base estável tanto para os senhorios como para os inquilinos. Nos bairros comerciais mais cobiçados de Lisboa, como o Chiado, as rendas de primeira linha mantêm-se firmes nos 140 € por metro quadrado por mês. Da mesma forma, os centros comerciais de primeira linha continuam a comandar valores de arrendamento elevados, enquanto os parques comerciais apresentam alternativas mais acessíveis.
No entanto, este período de estabilidade é provavelmente um precursor de mudança. A combinação de uma procura forte e sustentada por parte dos retalhistas e de um sentimento geral positivo no mercado está a criar uma pressão ascendente sobre as rendas. Espera-se que, a curto prazo, os senhorios comecem a ajustar as taxas de arrendamento em alta para capitalizar as condições favoráveis do mercado.
Pipeline Total e em Construção
O futuro do desenvolvimento do retalho em Portugal está predominantemente orientado para retail parks. Estão previstos 209.300 m2 de nova área de retalho para os próximos três anos, sendo que 96% desta nova oferta será concretizada sob a forma de retail parks. Este facto evidência uma tendência clara e decisiva no mercado.
Com 64% deste pipeline já em construção, o mercado prepara-se para receber um volume significativo deste formato específico de retalho. A recente conclusãodo Batalha Retail Park é um excelente exemplo desta tendência, funcionando como um modelo para destinos de retalho de grande escala e de fácil acesso, que irão definir a próxima fase da evolução do retalho em Portugal.