Uma base económica resiliente
O panorama económico mais alargado em Portugal proporciona uma base sólida para a confiança do mercado. Em 2025, o PIB do país cresceu uns consideráveis 1,9%, com previsões otimistas que apontam para uma aceleração para 2,3% em 2026. As pressões inflacionistas estão a diminuir, com a inflação a moderar para 2,3% em 2025 e a descer abaixo do objetivo dos 2,0% nos anos seguintes. Esta estabilização é complementada por um mercado de trabalho robusto, onde se prevê que o desemprego diminua de 6,1% em 2025 para 5,7% em 2026. Além disso, um crescimento de 1,2% nas exportações e uma forte expansão de 3,5% no consumo privado sinalizam uma vitalidade económica sustentada, alimentando a procura em vários setores, incluindo a logística e as operações industriais.
A procura recalibra-se, mas os principais centros continuam fortes
Embora as perspetivas económicas sejam positivas, a procura industrial e logística passou por um período de ajustamento em 2025. A ocupação total para o ano atingiu 484 970 m², uma quebra de 39% em comparação com o ano anterior. A área média transacionada também diminuiu 26%, para 6640 m², sugerindo uma mudança no mercado para aquisições de menor dimensão e mais estratégicas.
Apesar deste abrandamento geral, a atividade continuou fortemente concentrada nos principais centros económicos de Portugal. A Grande Lisboa foi o principal motor da procura, representando 56% da ocupação total, seguida peoa Grande Porto com 34%. O quarto trimestre foi marcado por várias transações significativas que sublinham o apetite contínuo por espaços de alta qualidade. Entre as transações mais notáveis destacam-se o arrendamento pela SPAR de uma instalação com 17 500 m² no Panattoni Park Santarém e o arrendamento pela On time Logística de 15 510 m² na Vialonga. Outras transações relevantes envolveram a Urbanos, que garantiu 10 500 m² em Castanheira do Ribatejo, e a Torrestir, que arrendou 10 410 m² em Arcozelo, contribuindo para um total de 22 novos contratos de ocupação no último trimestre.
A taxa de desocupação diminui faceà escassez de espaços de qualidade
A persistente oferta insuficiente de instalações logísticas modernas e de alta qualidade continua a ser uma característica marcante do mercado. Na Grande Lisboa, a taxa de desocupação diminuiu para uns escassos 4,1% no quarto trimestre de 2025. Esta baixa disponibilidade destaca o desafio contínuo para as empresas que procuram espaços logísticos de elevada qualidade na região de Lisboa.
O crescimento das rendas reflete o desequilíbrio entre a oferta e a procura
A escassez de espaço disponível, aliada à procura sustentada por parte dos ocupantes, continuou a impulsionar a subida dos valores das rendas. As rendas prime subiram nas principais zonas logísticas. No corredor Castanheira-Azambuja, na Grande Lisboa, as rendas atingiram 5,65 € por m² por mês. Entretanto, na zona altamente procurada do Porto de Leixões-Aeroporto, na Grande Porto, as rendas prime atingiram 5,90 € por m² por mês. Esta tendência ascendente não se limitou aos ativos prime, uma vez que as rendas médias também aumentaram na maioria das zonas destas regiões centrais, refletindo o desequilíbrio fundamental entre a oferta limitada e a procura saudável.
Um pipeline robusto promete oportunidades futuras
Olhando para o futuro, o pipeline de construção previsto parece robusto, sinalizando um esforço concertado para lidar com as restrições de oferta do mercado. Só em 2025, foram concluídos 303 250 m² de novos espaços logísticos, com a maioria localizada na Grande Lisboa e na Grande Porto.
O impulso de desenvolvimento deverá continuar, com uns impressionantes 758 500 m² de novos espaços previstos concluirnos próximos três anos. Destes, 449 900 m² já estão em construção, indicando um forte calendário de entregas a curto prazo. Os principais projetos que irão moldar o panorama futuro incluem a Fase III da Plataforma Logística Norte de Lisboa, o empreendimento Malveira Prime Logistics e o projeto Panattoni Park Lisbon-City. Estes novos empreendimentos serão cruciais para acomodar o crescimento futuro e aliviar as pressões de oferta que atualmente definem o mercado.